A COISA (2017), ou “Quando remakes fazem sentido”

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“We all float down here!”

Fomos eu e minha queridíssima namorada, Laise, ver It: A Coisa (2017), e p@#$ que p@#$%, que filme foda!

SINOPSE

O verão de 1988 de um grupo de crianças da cidade de Derry é abalado quando o irmão de Bill Denbrough (Jaeden Lieberher) desaparece sem vestígios. Então ele, Richie (Finn Wolfhard), Eddie (Jack Dylan Grazer) e Stanley (Wyatt Oleff), com a ajuda dos novatos Ben (Jeremy Ray Taylor), Beverly (Sophia Lillis) e Mike (Chosen Jacobs), tentam não só desvendar seu desaparecimento, como os mistérios que rondam a cidade.

imagem das 7 crianças andando num gramado, com um trem cargueiro passando ao fundo

O novo Clube dos Otários

COMENTÁRIOS

Olha, a gente viu Annabelle 2 recentemente (SAI DAÍ, SILVIO SANTOS!) e mesmo sendo um filme de terror fantástico, eu tenho que dizer que It tá ganhando como o melhor filme de terror / suspense do ano. Não só pelas cenas de susto, que são realmente excelentes, mas porque é MUITO, MAS MUITO BOM, ver um terror com conteúdo.

Tá, eu fiz mal em comparar com Annabelle. Eu só fiz isso porque foi o filme de terror mais recente que eu vi. Não achem que toda comparação que eu fizer é para falar mal da boneca do demônio. Porque realmente é um filme muito bom.

Imagem do youtuber Whindersson Nunes tomando um susto, em seu vídeo sobre Annabelle

Oh Silvio Santos, para de pegadinha!!

Voltando, é bom demais assistir um filme com conteúdo, cheio de metáforas e que, mesmo sendo entretenimento puro e simples, te acrescenta algo. Ver a forma como crianças e adultos lidam com seus problemas é angustiante e, ao mesmo tempo, muito bom.

Na verdade, a mescla de sentimentos sempre vão te acompanhar no filme. Você vai sorrir pouco antes de gritar, pouco antes de sentir pena, pouco antes de sentir nojo. Você vai querer mostrar para aqueles personagens o que estão fazendo de errado. Você vai querer ter sido amigo de infância deles.

Inclusive, que atores mirins maravilhosos. Os 7 principais, e o grupo de vilões, foram muito bem escolhidos, e são atores que cumprem muito bem seus papéis. Você quase sente orgulho disso.

Sem contar que o filme está bonito para cacete. Se você se lembra do filme original, ele se passa em 1960. Na versão de 2017, o passado foi atualizado para 1988, e foi feito um belo trabalho de reconstituição de uma pequena cidade americana do período. Os efeitos foram remodelados, também, te deixando ainda mais impactado e mais imerso, fora que a direção de fotografia caprichou legal.

Porém, uma coisa que pode deixar vocês encucados, e me deixava, era: Mas já não tem o velho?

POR QUE FAZER REMAKES?

Eu sou um grande crítico de remakes. Tá, não um grande, talvez um alto. Mas sempre que ouço falar de remakes ou reboots, minha reação é sempre: “Para que?”. É claro que minha pergunta não é mercadológica, é ideológica. Não faz sentido, para mim, refazer algo que já foi feito. E não importa se o filme está velho, ou é em outra língua, ou foi produzido noutro país. Ele já existe, e pronto. O espectador tem que se adaptar à linguagem dele, não o contrário. Eu vejo como uma forma de comodismo essa necessidade de atualizar tudo. Dá preguiça no espectador tentar se adaptar a uma forma de expressão que não é (mais) a comum.

Mas velho, faz parte.

E digo mais, ajuda muito no crescimento tentar absorver o que um autor/diretor/roteirista queria passar num trabalho como esse. Eu lembro que, para me preparar para nossa palestra na Campus Party eu assisti 2001: Uma Odisseia no Espaço e Metrópolis, que definitivamente não são filmes que se vê de boas numa tarde. E p@#$ m@#$%, sem procurar esses filmes, observar o que me era passado, tentar entender o que tava na superfície, e por trás, a palestra não seria tão boa quanto foi.

Eu comparo muito, talvez eu exagere, com comentários que eu ouço nos podcasts de história que eu acompanho: para entender as ideias, é importante ler na língua original. Muito dos conceitos se perdem na tradução. “Traduttore, Traditore”. E, considerando o cinema uma linguagem, voltar aos clássicos, pra mim, é muito importante (mesmo que sejam chatos, feios, sonolentos).

Então, por que fazer remakes?

Nós fizemos questão de ver o filme clássico antes. Não que fosse obrigatório, não é. Se você ainda não viu o filme de 90, você não perde nada vendo esse. Mas saiba: várias coisas nesse foram feitas para referenciar o antigo. Porém, quisemos fazer isso, por ser um filme que a gente gosta e respeita muito. Valeu muito a pena, e me fez perceber algo:

O filme está datado.

E é f@#$ dizer isso, porque o filme não é só um clássico “por ser velho”. É realmente um filme MUITO bom. Não tem como lembrar do Tim Curry, como Pennywise, sem tremer um pouco. Inclusive muita gente desenvolveu uma Coulrofobia lazarenta graças ao bom trabalho dele. Mas é verdade, o filme envelheceu, e envelheceu mal.

O palhaço Pennywise, dentro do bueiro, falando com o menino George (fora do quadro)

Não importa o período, na hora que o Pennywise aparece, segura o c#

Primeiro na parte visual, que obviamente se desgastou. Efeitos visuais do início da década de 90 não sobreviveriam até hoje. O filme de 2017 vem para solucionar esse problema, e faz de forma caprichada.

Mas não é só isso, as atuações eram ruins também. Não só das crianças, como também dos adultos. Eu não saberia afirmar se eram consistentes com a época, mas é fato, a qualidade média da atuação do novo filme é superior à do antigo, o que nos deixou ainda mais contentes com o novo. E a direção, como um todo, é (ou me parece) mais cuidadosa. A direção dos personagens, a direção de fotografia, de som, todas te ambientam tão bem ou melhor do que antes. E o roteiro, ainda muito fiel ao original, é muito mais bem trabalhado, aprofundando, mostrando, e concluindo (as vezes até demais) os pontos melhor do que outrora.

Então, minha resposta para minha própria pergunta, e que vocês podem debater nos comentários, é:

Faz sentido fazer reboots / remakes quando o novo vem para ACRESCENTAR valor. Quando o velho não é mais capaz de transmitir certas coisas, e isso pode ser feito num novo produto. Senão é só mais um caça-níquéis, e já estamos cheios disso. É sério, os velhos ainda estão lá, e merecem respeito.

Acrescentar valor foi o que Andy Muschietti  e sua equipe conseguiram, com louvor. Parabéns!

COMENTÁRIOS EXTRAS

Pennywise segurando um balão vermelho

Este arro#$@%& desse palhaço que não nos deixa em paz

Minha companheira de aventuras, Laise Xavier, também escreveu um pouco sobre o novo filme, e vou copiar suas palavras aqui embaixo:

Devo confessar que sempre tremo ao mencionarem reboot de filmes que gosto. Quando vi o primeiro trailer do reboot de It, não tive uma boa impressão, e não esperava que fosse gostar de qualquer forma. E bem, eu estava muito enganada.”

O filme por si, já é maravilhoso. Para quem não está familiarizado com a adaptação dos anos 90 ou o livro, vale a pena assistir no cinema e se traumatizar com palhaços. Para quem já conhece o enredo, por favor, corra até o cinema!

“A fotografia é linda. O cenário é muito parecido com o original, chega a emocionar. A atuação do elenco adolescente é brilhante, e nosso Pennywise não deixa a desejar.”

Houveram mudanças no enredo sobre a história do palhaço Pennywise e suas aparições na cidade, e no decorrer dos eventos. Me agradou bastante a repaginada que os personagens mais jovens tiveram e o que mais me impressionou foi o Henry (Nicholas Hamilton), a perseguição e a violência que ele comete no reboot são mais intensas que no filme original.

Deixando as comparações de lado, o filme tem personagens fortes e com profundidade. O novo filme conta com muitas cenas de susto e brutalidade, proporcionadas pelo It. Se preparem para um banho de sangue!”

É isso galera, deixem nos comentários suas impressões, debatam, e respondam “num top 5 filmes de terror de 2017, quais são os outros 4 além de It?”.

Abraços, até a próxima!

P.S.: Faltou um elogio em particular à  Bill Skarsgård. Encontraram um substituto fantástico ao Tim Curry, ele é um excelente Pennywise